O Natal
O Natal tem
vindo a descaracterizar-se.
Esta afirmação, embora seja muito repetida nos dias
de hoje, torna-se difícil de assimilar, muito devido ao facto de cada um de nós
estar ciente de que, no interior dos nossos lares, o espírito natalício e a
reunião familiar se mantêm e perduram.
Se, por um lado, a troca de prendas às doze
badalas, a junção da família e o cumprimento de todos os costumes caseiros
representam o perpetuar da harmonia e do amor entre gerações, sendo, no
entanto, necessário classificar o nosso conceito de Natal como uma modernização
do seu real significado. Por outro lado, é notória, e um tanto preocupante, a
“massificação” desta época, na medida em que a suposta festa da família e do
apoio mútuo, perde a sua genuinidade com a prevalência do consumismo e do
materialismo em relação à solidariedade e fraternidade que desde sempre
estiveram presentes na conceção do Natal.
Embora possamos admitir que a sociedade ainda tende
a preocupar-se com os problemas sociais existentes, a verdade é que essa
preocupação, para além de ser demonstrada de forma extremamente sazonal, tem
vindo a esbater-se à medida que os anos passam.
A sensação que
me fica ao pensar sobre tudo isto é que cada um de nós está tão concentrado
naquilo que caracteriza o seu próprio natal que, por falta tempo (e espaço na
memória), não consegue parar para pensar que existem mais 6 biliões como nós,
muitos deles a precisar de um ombro amigo.
Bianca Magalhães

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