
Para que o espírito franciscano que celebramos na passada quinta-feira perdure, convido-te a ler e a meditar este belíssimo excerto de Agustina Bessa-Luís. Vale mesmo a pena. Li aqui
O franciscanismo apareceu como uma assistência social
directa: instalou-se nos burgos, entrou no clima campesino e no lar
operário; derramou-se pela fazenda burguesa, penetrou na praça
comercial.
Levou uma consciência nova dos problemas, até à
reitoria, até à câmara, até ao paço. Até aí havia o teólogo e o
exegeta. Debatiam-se os dogmas nos concílios, atalhava-se a heresia com
complicadas teses. Cuidava-se do artigo de fé e do poder do clero.
Francisco trouxe o pobre para a sociedade e recuperou Cristo no pobre. E
fê-lo sem revolta, com uma sinceridade que subverte a revolta; que a
torna menos soberana do que a realidade sofrida. Não disse: “Pobres,
uni-vos.” Mas disse a todos: “Tornai-vos pobres”. Amai o dever de ser
pobre, e não a confrontação e a luta. (...) A regra franciscana era tão poética que dela só podia subsistir o
perfume. Era alegre, pois proibia acompanhar o jejum com a expressão
mortificada; era sábia, pois se desviava das letras; era grande, porque
prevenia contra o vício da vontade própria.
Agustina Bessa-Luís
In Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores
Pintura: Giotto
In Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores
Pintura: Giotto
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