9 de outubro de 2012

Ainda o dia de S. Francisco


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Para que o espírito franciscano que celebramos na passada quinta-feira perdure, convido-te a ler e a meditar este belíssimo excerto de Agustina Bessa-Luís. Vale mesmo a pena. Li aqui

O franciscanismo apareceu como uma assistência social directa: instalou-se nos burgos, entrou no clima campesino e no lar operário; derramou-se pela fazenda burguesa, penetrou na praça comercial.
Levou uma consciência nova dos problemas, até à reitoria, até à câmara, até ao paço. Até aí havia o teólogo e o exegeta. Debatiam-se os dogmas nos concílios, atalhava-se a heresia com complicadas teses. Cuidava-se do artigo de fé e do poder do clero. Francisco trouxe o pobre para a sociedade e recuperou Cristo no pobre. E fê-lo sem revolta, com uma sinceridade que subverte a revolta; que a torna menos soberana do que a realidade sofrida. Não disse: “Pobres, uni-vos.” Mas disse a todos: “Tornai-vos pobres”. Amai o dever de ser pobre, e não a confrontação e a luta. (...) A regra franciscana era tão poética que dela só podia subsistir o perfume. Era alegre, pois proibia acompanhar o jejum com a expressão mortificada; era sábia, pois se desviava das letras; era grande, porque prevenia contra o vício da vontade própria. 
Agustina Bessa-Luís
In Dicionário Imperfeito, Guimarães Editores
Pintura: Giotto

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