24 de julho de 2012

Caminho...


A poucas semanas de se iniciar um novo Caminho e numa altura que muitos de nós percorremos caminhos novos e diferentes, vale a pena recordar o último Caminho de Fevereiro, pelas palavras de duas peregrinas, Ana Amaral e Rosário Cunha, e pelas fotos do professor Pedro Gabriel, também ele companheiro do Caminho:


O Colégio Luso-Francês tem tido, nos últimos anos, a oportunidade de levar os seus alunos a percorrer o Caminho de Santiago uma actividade que reforça a vertente católica da própria instituição. Assim sendo, estes alunos aceitaram abandonar o conforto das suas casas, ficando entregues à descoberta de cada caminho, que vamos reinventando, e reconhecendo o desafio: Entra apenas, permanece até ao fim e sai mudado.
No Caminho, encontramos lugares únicos, lugares que nos devolvem a humanidade, que nos é intrínseca, e nos aproximam de Deus. Ali, enquanto grupo de peregrinos, experimentamos ser sal da terra e luz do mundo.
De facto, há momentos inesquecíveis que trazemos connosco e completam cada fotografia captada. Desde a cumplicidade entre companheiros quase até apostolicidade , ao abandono sentido em Sarria, à comunhão dada no jardim em Palas de Rei, ao peso que trazemos às costas e o compartimos no albergue de Àrzua, às orações tanto no jardim de Portomarín numa bela tarde de verão, como no gimnodesportivo em Palas de Rei ao fim do dia, e ainda no Monte do Gozo ao abrigo da luz das estrelas, até à densidade telúrica de um abraço à chegada a Santiago, há algo que partilhamos em forma de segredo: ali somos, uns para os outros, expressão do amor de Deus.
Poder-se-á criar mais palavras, todas elas com novos e diferentes significados, contudo nenhuma conseguirá abrir as portas da intimidade do grupo, na entrada na Praça do Obradoiro. Aí projectamos as nossas esplêndidas asas que um dia abraçaram o sabor das amoras e a alegria do mundo… E para concluir, tomamos as palavras de Cees Nooteboom: «Não há prova possível, mas mesmo assim acredito que seja verdade: existem lugares no mundo onde à nossa chegada ou partida se acrescentam, de forma misteriosa, as emoções de todos os que lá chegaram ou de lá partiram antes de nós.»
 

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