A realização de ti mesmo, daquela precisa imagem e
semelhança com Deus que cada um de nós é, não é algo de automático, mas
exige um trabalho. Trata-se de um trabalho interior, invisível mas nem
por isso menos fatigante que outros trabalhos; e muitas vezes é, pelo
contrário, muito mais fatigante e temível porque nos faz correr o risco
de colocar diante de nós a realidade que nem queremos ver nem
compreender.
Sim, a vida interior exige coragem. É como
iniciar uma viagem, não tanto em extensão quanto em profundidade, não
fora de ti mas dentro de ti. E a dificuldade que podes encontrar nos
inícios, perante a paisagem interior desconhecida, pode-te desencorajar
e revelar-te que talvez precisamente esta seja a viagem mais longa e
árdua, ainda que nunca te obrigue a percorrer um quilómetro.
Enzo Bianchi, prior do
Mosteiro de Bose, em Itália, no livro «Cartas a um amigo sobre a vida espiritual»
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