Depois, com a
aquisição lenta do uso da razão, há-de estudar-se a vida afectiva, para
aproveitar a sua força - querer ser e viver - na condução da
existência, sabendo conviver com ela nas suas dimensões positivas e
negativas. Porque a razão, sem os afectos, pode ficar paralisada, mas
estes, sem aquela, podem tornar-se cegos. E assim se constata a
importância do que hoje se chama a razão que sente, razão sensível,
razão emocional.
É neste
fundo anímico-vital afectivo que mergulha a própria fé religiosa.
Esquece-se frequentemente que a fé não começa por ser religiosa, mas uma
atitude fundamental da existência enquanto confiança de base. Hoje,
quando o que faz falta é confiança e crédito, percebe-se melhor o tema.
Mas, a um dado momento, há-de colocar-se também a questão da fé
religiosa, na medida em que se põe a pergunta pelo fundamento último da
confiança.
A realidade
da fé como atitude fundamental de toda a existência e como possível
abertura à fé religiosa, garante do sentido último e pleno, é sublinhada
cada vez mais, também em estudos científicos referentes à doença e à
cura. Aliás, não há aqui nenhuma descoberta, pois sempre se soube que a
atitude do Homem face à vida, à doença e à própria morte depende do grau
da sua confiança.
Anselmo Borges, Diário de Notícias de 25 de maio de 2013
Sem comentários:
Enviar um comentário