Cito uma parte da crónica de Anselmo Borges, no passado sábado, no Diário de Notícias. É um bom ponto de partida para refletir estes dias de celebração que hoje, à meia noite, iniciaremos. Um Santo Natal.
Numa troca
célebre de cartas entre o cardeal Carlo M. Martini e o agnóstico Umberto
Eco, publicadas com o título "In cosa crede chi non crede?", U. Eco
escreve: Mesmo que Cristo fosse apenas o tema de um grande conto, "o
facto de esse conto ter podido ser imaginado e querido por bípedes
implumes, que só sabem que não sabem, seria miraculoso (miraculosamente
misterioso)". O Homem teve, a dada altura, "a força, religiosa, moral e
poética, de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão
aos inimigos, da vida oferecida em holocausto pela salvação dos outros.
Se fosse um viajante proveniente de galáxias longínquas e me encontrasse
com uma espécie que soube propor-se este modelo, admiraria, subjugado,
tanta energia teogónica, e julgaria esta espécie miserável e infame, que
cometeu tantos horrores, redimida pelo simples facto de ter conseguido
desejar e crer que tudo isto é a Verdade."

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